Saco é um saco!

(Flávia Gomes)

O saco de plástico é hoje um dos graves problemas ambientais. O material leva cerca de 400 anos para se decompor e o resultado do uso em excesso vai parar nos bueiros, nos rios e nos mares. Isso causa a morte de muitos animais, exige que o governo invista muito dinheiro em limpeza e piora a qualidade de vida das pessoas. O quadro Cultura Ambiental de hoje traz a campanha do Ministério do Meio Ambiente, que combate o uso abusivo de sacos de plástico.

Escute o Cultura Ambiental na Rádio Cultura FM (100,9), hoje, dentro do programa Revista 100,9, a partir das 17h (pela rádio ou pela internet no Movimento Calango). Ou ouça pelo Stickam.

“Saco é um saco. Para nós, para a cidade, para o planeta e para o futuro”.

Esse é o slogan da campanha nacional do Ministério do Meio Ambiente lançada pelo ministro Carlos Minc com apoio de uma famosa rede de supermercados. A iniciativa pretende conscientizar o cidadão a recusar as sacolas plásticas, sempre que possível, adotando alternativas para o transporte das compras e o acondicionamento do lixo.

Muitos se perguntam se o saco plástico é o maior problema ambiental. Talvez não seja o maior deles, mas isso não importa. O que importa é que o hábito de usar essas sacolas faz parte de uma realidade ultrapassada que não cabe mais no mundo de hoje.

Utilizar sacolas plásticas sem consciência é muito ruim para o meio ambiente. Tanto quanto comprar carne sem informação de origem ou móveis de madeira não certificada. É o mesmo que escovar os dentes de torneira aberta ou deixar as luzes acesas quando não se está no quarto. O planeta não tem mais capacidade de suportar esses velhos hábitos.

O mundo tem 6 bilhões e 200 milhões de pessoas que buscam qualidade de vida, mas ainda com níveis de consumo incompatíveis com os limites dos recursos naturais. Todos precisamos repensar nossa forma de viver e encarar o planeta. As sacolas podem continuar a existir, desde que saibamos usá-las com consciência. O ideal é reduzir ao máximo seu uso, reutilizar sempre e reciclar quando ela não mais puder ser utilizada.

Mas aí vem a inevitável pergunta: sem sacolas plásticas, como vou fazer com o meu lixo? A resposta é trabalhosa, mas é apenas uma questão de mudança de hábito – a separação e correta destinação do lixo doméstico.

O coordenador de gestão ambiental da faculdade Unicesp/Soebras, Bernardo Verano, traz algumas alternativas para essa questão.

“Podemos dividir o lixo doméstico em 3 categorias: resíduos orgânicos, resíduos secos e lixo de banheiro. O ideal é ter em casa três recipientes diferentes para separar os resíduos. Quando se pode contar com a coleta seletiva, cada um deles deverá ter uma destinação diferente: resíduos orgânicos seguem para compostagem; materiais recicláveis para a reciclagem; e o lixo de banheiro diretamente para os aterros sanitários.

Mas se considerarmos que apenas 10% das cidades brasileiras possuem coleta seletiva e menos que isso conta com sistemas de compostagem, resta ao consumidor consciente tomar algumas atitudes simples:

1. Separe seus materiais recicláveis e leve-os aos pontos de entrega voluntária ou destine-os diretamente às cooperativas de catadores – elas existem em praticamente todas as cidades brasileiras. Aqui em Brasília, a rede Pão de Açúcar de supermercados recolhe lixo reciclável e óleo de cozinha e as agências do Banco Real recebem pilhas e baterias usadas.

2. Você pode diminuir o consumo de sacolas plásticas se separar os materiais recicláveis em caixas ou sacos de lixo maiores e depositá-los diretamente nos contêiners adequados. Depois traga de volta a caixa ou o saco para serem reutilizados.

3. Quando os recicláveis são embalagens que ficam sujas de restos de alimentos, é só dar uma lavada neles. E nem precisa consumir mais água para isso. Ao lavar louça – você já sabe que o ideal é encher a pia de água para o enxague final – daí é só utilizar essa mesma água para enxaguar os recicláveis. Isso é só para tirar o grosso da sujeira e impedir que os resíduos orgânicos atraiam vetores de doenças como ratos e baratas. Dessa forma você pode esperar mais tempo para juntar maior número de embalagens e entregar para a reciclagem.

Hoje em dia, muitos sacos de lixo são fabricados com material reciclado. As sacolas plásticas não podem ser produzidas com material reciclado por uma determinação da ANVISA – Agência Nacional de Vigilância Sanitária, por que elas entram em contato com os alimentos. Por isso, cada saco plástico utiliza matéria-prima virgem. Já com os sacos de lixo não há essa exigência, então, várias empresas estão fabricando sacos de lixo com material reciclado. Este é o ganho ambiental significativo.

Então, lembre-se! Reduza o consumo de sacolas plásticas, use sacos de lixo reciclado, separe materiais recicláveis e exija de seu governo local a estruturação de um sistema de coleta seletiva. A solução é trabalhosa, sim e exige uma mudança de hábitos em relação ao lixo produzido por nós. Mas o resultado compensa. Afinal, “Saco é um saco. Pra cidade, pro planeta, pro futuro e pra você”.

Assista o vídeo da campanha.

Anúncios

Uma consideração sobre “Saco é um saco!”

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s