Cultura Ambiental – Queimadas

(Bernardo Verano e Flávia Gomes)

Escute o Cultura Ambiental na Rádio Cultura FM (100,9), hoje, dentro do programa Revista 100,9, a partir das 17h (pela rádio ou pela internet no Movimento Calango). Ou ouça pelo Stickam. Essa semana o tema do programa é: Queimadas.  Entrevistamos João Santana Mauger, responsável pela Coordenação de Prevenção e Controle de Riscos Ambientais do IBRAM (COPRA).

É chegado o período do ano que mais preocupa os pesquisadores e entidades que trabalham no combate ao fogo. Algumas espécies da fauna estão sendo dizimadas a cada ano devido aos incêndios de grandes proporções. Dependendo da dimensão do local e do que está ao seu redor, alguns animais conseguem se afugentar. Os pequenos, principalmente. Mas os animais de grande porte e os ameaçados de extinção acabam morrendo carbonizados. Antas e tamanduás-bandeira são as espécies mais prejudicadas no Distrito Federal. O motivo é que eles são lentos, acabam ficando ilhados e morrem consumidos pelo fogo.

As pessoas têm a idéia de que a vegetação do cerrado é acostumada ao fogo e, assim, adaptável às queimadas. Mas precisamos lembrar que em outros períodos havia grandes áreas que ficavam intocadas e supriam os locais queimados. Hoje, com o processo de ocupação desordenada do cerrado, qualquer queimada é danosa.

Toda vez que um local é queimado, a biodiversidade dele é afetada. Isso envolve todas as plantas, animais e microorganismos. O fogo também afeta a cadeia alimentar de uma localidade. Por exemplo, um animal que tinha o costume de se alimentar com uma planta X, após o incêndio, não vai mais ter aquela planta como alimento. Da mesma forma, um animal predador que se alimenta de outro de menor porte não ter a mesma facilidade para encontrar o alimento.

Mas o que é uma queimada?

Queimada é uma combustão incompleta ao ar livre, e depende do tipo de matéria vegetal que está sendo queimada, de sua densidade, umidade etc., além de condições ambientais, em especial a velocidade do vento. Por ser uma combustão incompleta, as emissões resultantes constituem-se inicialmente em monóxido de carbono (CO) e matéria particulada (fuligem), além de cinza de granulometria variada. Resultam também dessa combustão compostos orgânicos simples e complexos representados pelos hidrocarbonetos (HC), entre outros compostos orgânicos voláteis e semivoláteis, como matéria orgânica policíclica – hidrocarbonetos policíclicos aromáticos, dioxinas e furanos, compostos de grande interesse em termos de saúde pública, pelas características de alta toxicidade de vários deles. Como nas queimadas a combustão se processa com a participação do ar atmosférico, há também emissões de óxidos de nitrogênio (NOx), em especial o óxido nítrico (NO) e o dióxido de nitrogênio (NO2), formados pelo processo térmico e pela oxidação do nitrogênio presente no vegetal.

Além das emissões diretas (poluentes primários), ocorrem na atmosfera reações entre essas emissões e vários outros compostos presentes no ar, como as reações fotoquímicas com importante participação da radiação ultravioleta do sol, resultando em compostos que podem ser mais tóxicos que os seus precursores: o ozônio (O3), os peroxiacil nitratos (PAN) e os aldeídos.

Distrito Federal

 De maio deste ano até 10 de julho, o Corpo de Bombeiros já atendeu a mais de 900 chamados em todo o DF. Como choveu em maio é provável que o período de estiagem se estenda além de outubro. As áreas que contornam parques e unidades de conservação são as mais afetadas por queimadas. O problema é o mesmo todos os anos. As localidades que mais sofrem com esse problema são o Jardim Botânico, a fazenda Água Limpa e a reserva do IBGE. O Parque Nacional também é muito afetado. Em 2007 houve um incêndio tão grande que a Defesa Civil chegou a decretar estado de emergência.

Aceiros

A Estação Ecológica de Águas Emendadas, em Planaltina, é um bom exemplo de ações que dão certo no combate ao incêndio florestal. A administração da Estação coordena um trabalho de aceiramento dentro da Unidade de Conservação com o objetivo de minimizar a ação do fogo no período de estiagem.

Os aceiros são faixas ao longo das cercas onde a vegetação é completamente eliminada da superfície do solo. Assim, o fogo não passa para a área de vegetação, o que evita a queimada/incêndio. O melhor período para fazer os aceiros é no início do período seco, quando a vegetação começa a secar. Os aceiros evitam a entrada de fogo na Unidade de Conservação.

Veja o mapa das queimadas no DF feito pelo Correio Braziliense.

Queimadas_DF
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 Causas

A maior parte das queimadas no Distrito Federal é causada pela queima de lixo e pontas de cigarro jogadas pela janela do carro. Outro fator importante é a população que mora ao redor das unidades de conservação que inicia os incêndios florestais ao queimar lixo no quintal. Aí deve começar a mudança de cultura de cada cidadão. O problema é grave e causa desequilíbrios no ecossistema e vários problemas de saúde pública que poderiam ser evitados. Vale lembrar que a queima de restos de podas de árvores ou lixo que resulte em risco de queimada é considerada crime ambiental e está previsto na Lei Federal nº 9.605/98. A multa é de R$ 1,5 mil por hectare. Além disso, é crime inafiançável com pena prevista de dois a quatro anos por dolo (quando há intenção) e de seis meses a um ano de detenção por culpa (sem intenção). A população deve denunciar ao Corpo de Bombeiros, preferencialmente, na hora em que a pessoa estiver fazendo o fogo. Dessa forma, o flagrante é configurado.

Consequências

As queimadas podem afetar diretamente nosso modo de vida, pois se realizadas como aqui no DF, em unidades de conservação próximas a centros urbanos podem, de acordo com Radojevic & Hassan (1999), causar drástica redução da visibilidade, fechamento de aeroportos e escolas, aumento de acidentes de tráfego, destruição da biota (conjunto de seres vivos, flora e fauna, que habitam ou habitavam um determinado ambiente geológico) pelo fogo, aumento na incidência de doenças, diminuição da produtividade, restrição das atividades de lazer e de trabalho, efeitos psicológicos e custos econômicos. Dentre os casos graves de doenças observadas pelo aumento das queimadas encontram-se infecções do sistema respiratório superior, asma, conjuntivite, bronquite, irritação dos olhos e garganta, tosse, falta de ar, nariz entupido, vermelhidão e alergia na pele, e desordens cardiovasculares. Quanto maior a proximidade da queimada a adensamentos populacionais, maior o seu efeito à saúde.

Assista a um vídeo educativo de prevenção às queimadas, produzido pelo estado do Tocantins:

Este outro vídeo é um exemplo de como a juventude pode apoiar a causa ambiental. Alguns alunos fizeram esse material para uma aula de história. O vídeo tem muita informação. Vale a pena ver!

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2 opiniões sobre “Cultura Ambiental – Queimadas”

  1. Ué, gente, cadê as dicas do programa da semana passada? Vocês deram dicas tão legais, mas não estou vendo aqui… Ainda vão postar?
    Beijos e parabéns!

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    1. Desculpe, Fernanda, demoramos um pouquinho, mas já postamos as dicas. Obrigada pelo carinho. Abraços da equipe Verde Capital.

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