Utilização de fontes limpas cresce com a economia de baixo carbono

(Matéria publicada no jornal Valor Econômico – 20.10.09)

Petroquímicas no Brasil investem na fabricação de resinas verdes, redes de supermercado nos Estados Unidos e Europa fazem campanhas contra os sacos plásticos e incentivam o uso de sacolas ecológicas, siderúrgicas na Ásia investem milhões de dólares para adotar tecnologias mais eficientes e limpas de produção. Não faltam exemplos de como o mundo começa a fazer a transição para uma economia de baixo carbono, um cenário que irá ampliar a utilização de energias alternativas e que poderá reforçar a presença do Brasil como potência agroenergética.

A matriz energética do Brasil, sustentada pelo consumo de álcool nos veículos e pela geração de energia por usinas hidrelétricas, tem cerca de metade de sua capacidade gerada por fontes renováveis. “A matriz brasileira é um grande destaque no mundo e todos desejariam ter uma semelhante”, afirma Mauricio Tolmasquim, presidente da Empresa de Pesquisas Energéticas (EPE), órgão de planejamento estatal do setor de energia.

Os dados brasileiros contrastam com os vistos em outros países: apenas 13% das matrizes energéticas do mundo, em média, vêm de fontes limpas. Nas nações mais ricas, os números são ainda menores: apenas 6% da energia usada se origina de fontes renováveis. Grande parte da energia nas economias mais ricas vem do petróleo, que responde por 35% da oferta de energia no mundo, e do carvão, que representa cerca de 25%. Nos próximos anos, tende a haver uma diversificação das fontes e o maior uso de fontes limpas tanto pelos países desenvolvidos quanto pelos emergentes.

Estudo do Conselho Mundial de Energia aponta que a demanda por energia no mundo dobre até 2050, o que contribuirá para a expansão do uso de energia renovável. No setor de transportes rodoviários, os biocombustíveis representam apenas 1,5% do consumo total da frota em circulação no mundo. Número que tende a crescer bastante ao longo dos próximos anos. De acordo com previsões da Agência Internacional de Energia (AIE), se houver diversificação da matriz mundial, o que também inclui veículos híbridos e movidos a células de hidrogênio, as fontes renováveis de energia podem chegar a deter 26% do segmento de transportes em 2050.

“Os biocombustíveis despontam como parte da solução para reduzir a emissão de poluentes globais, e o Brasil deverá ser destaque nesse cenário, porque tem terra, planta e sol e grande competitividade na produção agrícola”, diz o ex-ministro da Agricultura e atual coordenador da GV Agro, Roberto Rodrigues.

Pesquisas realizadas indicam que os derivados de petróleo continuarão sendo predominantes no mundo nos próximos quarenta anos, mas fontes alternativas deverão ganhar espaço e reduzir a margem de liderança dos combustíveis fósseis, considerados pelos cientistas como um dos maiores vilões do aquecimento global.

Em um trabalho intitulado “Tecnologias de Transporte e Cenários de Política para 2050”, o Conselho Mundial de Energia aponta que ao longo dos próximos anos o setor de transporte de passageiros e de aviação continuará dependente de derivados de petróleo como principal combustível, mas que os biocombustíveis devem ampliar sua inserção, o que poderá reduzir a emissão de gases de efeito estufa.

Segundo o estudo, até 2050, o uso de derivados de petróleo no setor de transportes pode cair 22%, enquanto os veículos híbridos, elétricos e o etanol celulósico devem ampliar sua presença como combustíveis alternativos.

Em energia elétrica, a geração por fonte solar e eólica deverá ganhar espaço, com as empresas buscando investir em fontes sustentáveis e com menor emissão de gases que causam o efeito estufa. Nos últimos cinco anos, o mercado de energia eólica e solar tem crescido mais de 10% ao ano. Com investimentos de US$ 9 bilhões nos últimos anos, houve um crescimento de 45% na capacidade instalada de energia eólica nos Estados Unidos, que já têm mais de 5000 MW dessas usinas. Na Espanha, hoje cerca de 15% da demanda do país é atendida por usinas eólicas.

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