Twitter contra as faixas irregulares

Matéria publicada no Correio Braziliense de 18/05/2010

Usuários da rede social lançam a campanha Brasília Legal é Sem Poluição Visual. Objetivo é divulgar lista de quem suja a cidade com propaganda clandestina.

Incomodados com as faixas irregulares que poluem o visual das ruas do Distrito Federal, conforme o Correio mostrou na edição do último domingo, alguns brasilienses resolveram usar a tecnologia para fazer a diferença. Um grupo de frequentadores da rede social Twitter lançou a campanha Brasília Legal é Sem Poluição Visual. A proposta, liderada pelo jornalista, músico e historiador Luciano Lima, 39 anos, que apresenta um programa semanal em uma rádio da cidade, é coletar o máximo de flagrantes dos tais anúncios que tanto incomodam e depois divulgá-los à sociedade. “A cidade fica feia, suja, dá um aspecto de Terceiro Mundo”, avalia Lima.

A campanha surgiu há uma semana, quando o jornalista usou seu microblog no Twitter para criticar a grande quantidade de sujeira acumulada nas ruas durante o Dia Das Mães e o aniversário do Guará, cidade em que vive. De acordo com Lima, alguns pré-candidatos a vagas eletivas já se comprometeram a não sujar mais o espaço urbano com propagandas irregulares e chamativas, pois entenderam que a tendência é a perda de votos. “São eles (políticos) e os microempresários que mais poluem as cidades”, ressalta. Em setembro, o idealizador do movimento pretende divulgar a relação completa de todos os responsáveis pelas faixas flagradas. “A idéia é servir de alerta para o período eleitoral”, explica.

Até ontem, 20 pessoas haviam se comprometido a apoiar a iniciativa, e a tendência é que esse número cresça, já que os seguidores do grupo de Luciano Lima, batizado de Papo Firme, estão encaminhando (ou retuitando) a ideia aos seus próprios seguidores, que devem reencaminhar às suas redes de relacionamento e assim por diante. O nome da campanha foi escolhido pela internauta Alexandre Soca. A estudante Jéssica Macedo, 20 anos, é outra frequentadora da comunidade virtual que se empolgou com a ideia. Seguidora da Papo Firme, ela se considera twitteira “frenética” e gostou da ideia de tentar banir das ruas os empresários e políticos responsáveis pela poluição visual. “A cidade já não é turística, está cheia de obras para todos os lados. Com essas faixas, a situação fica ainda pior”, reprova.

Outra vantagem do esforço coletivo, aponta ela, é que cada um poderá monitorar a situação na sua própria comunidade. Moradora de Vicente Pires, Macedo afirma que sua vizinhança não é das piores neste quesito, e pretende voltar suas preocupações ao lugar que considera mais poluído pelas faixas: o Guará. “Ainda não fotografei nada por lá, mas pretendo começar ainda esta semana”, revela.

Exemplo
O corretor de imóveis Hado San, 40 anos, não frequenta o grupo do Twitter que idealizou a lista, mas também se considera crítico ferrenho das faixas. Por isso, encontrou outra maneira criativa de divulgar os imóveis que vende sem sujar a cidade. Preocupado com a quantidade de anúncios que se multiplicam pelas vias do Distrito Federal, Sam decidiu fazer propaganda dos imóveis que representa aliando música e solidariedade. Na semana passada, lembrou-se do bombeiro militar João Filho, 39 anos, que nas horas vagas se transforma no saxofonista apelidado de Meia-Boca. O músico se apresenta a comunidades carentes e também doa roupas, alimentos e brinquedos a crianças que frequentam o Hospital de Base.

Hado Sam propôs uma parceria profissional: enquanto Meia-Boca toca seu instrumento durante as apresentações, tem que carregar a placa de um empreendimento imobiliário no pescoço, contendo o telefone do corretor. Em troca, recebe fraldas para serem distribuídas no hospital.

“Encontrei um meio de divulgação que não agride o meio ambiente e ainda promove a cultura”, diz o corretor. E a inovação tem dado resultado. Em uma semana de apresentações, ele já recebeu dez ligações de potenciais clientes atraídos pela música.

COMO PARTICIPAR
O grupo aceita contribuições de cidadãos, desde que as denúncias sejam comprovadas por fotos. Os registros podem ser enviados para correntejuventude@gmail.com. Em setembro, a lista dos responsáveis pela sujeira da cidade será compilada e divulgada nos blogs dos parceiros da iniciativa, além do Twitter. Os idealizadores ainda estudam outras formas de divulgação.

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