Brasil gerou 8% mais lixo em 2009, mas coleta seletiva estacionou

Segundo dados da Abrelpe, cada brasileiro gerou em média 1,15kg por dia, no ano passado, 6,6% a mais do que em 2008, enquanto o número de municípios que fazem coleta seletiva aumentou 0,7% pontos porcentuais.

Roger Fernandes – Aceav     
Por Alexandre Spatuzza – Revista Sustentabilidade

Por falta de consciência sobre o problema dos resíduos e de políticas públicas focadas, os programas de coleta seletiva e o setor de reciclagem no Brasil praticamente estacionaram em 2009 em comparação ao ano anterior, apesar de um salto de 7,7% na geração de resíduos sólidos no mesmo período de comparação, concluiu a associação que reúne as empresas de limpeza pública no Brasil, Abrelpe, no Panorama de Resíduos Sólidos de 2009 publicado no dia 26 de maio.

“O Brasil continua tendo políticas voltadas para a gestão dos resíduos que simplesmente resolvem o problema na destinação final, enquanto a coleta seletiva continua sendo implementada por inciativas pontuais de empresas ou entidades e ações informais,” disse à Revista Sustentabilidade Carlos Roberto Vieira, Diretor executivo da entidade. “O resultado disso é que o setor de reciclagem também não avançou muito entre 2008 e 2009.”

Segundo os dados do panorama, obtidos com antecipação pela Revista Sustentabilidade, a geração de resíduos atingiu 57 milhões de toneladas em 2009, 7,7% acima do volume gerado em 2008, enquanto o volume coletado aumentou 8%, chegando em 50 milhões de toneladas no ano. Em comparação, a população cresceu cerca de 1% e portanto o incremento na geração de resíduos é resultado do aumento de renda e do crescimento econômico. Segundo dados da Abrelpe, cada brasileiro gerou em média 1,15kg por dia, no ano passado, 6,6% a mais do que em 2008.

Ao mesmo tempo, o número de municípios que fazem coleta seletiva aumentou 0,7% pontos porcentuais, passando para 56,6% de 55,9% dos 5.565 municípios no país. O índice de reciclagem de plásticos, vidro, papel e alumínio ficaram estacionados nos mesmo índices de 2008: 19%, 47%, 45% e 50% respectivamente.

Inovação arrestada

Em 2009, no Sudeste, 78,7% dos municípios tiveram programas de coleta seletiva, no Sul, 76%, no Norte, 44,1%, no Nordeste, 34,2% e no Centro-Oeste, 26%. Em 2008, estes índices eram, respectivamente, de 78,4%, 75,7%, 42,8%, 33,7% e 22,7%. Em última instância, a falta de avanço neste setor impediu que as empresas de gerenciamento de resíduos investissem em tecnologias novas de reciclagem e abrissem novos negócios, uma tendência mundial no setor.

“As empresas estão prontas para fazer isso, mas não existe um arranjo de políticas públicas que permita que isso aconteça”, explicou. Entre as inovações, estão sistemas e processos de logística reveresa, reciclagem, compostagem e até de queima para geração de energia no que empresas do setor estão investindo em outros países.

A Abrelpe representa 92 empresas que operam no Brasil e que coletaram cerca de 183 mil toneladas de lixo diariamente em 2009. Os serviços de varrição urbana e coleta porta-a-porta custaram, em 2009, R$9,27 por mês para cada um dos 190 milhões de brasileiros. No entanto, segundo Vieira, este é um valor ainda inadequado para suprir todas as necessidades nacionais de gerenciamento de resíduos.

“O resultado é lixo de todos os tipos nas ruas dos centros urbanos e disposição inadequada de 43% do total de lixo gerado,” afirmou. O panorama de 2009, mostrou que ainda 22 milhões de toneladas foram para aterros controlados e lixões, apesar de ter havido um pequeno avanço neste sentido, já que em 2008, 45,1% dos resíduos estavam indo para disposição final inadequada.

Políticas públicas conservadoras

Isto foi resultado principalmente dos esforços das administrações públicas nas regiões Sul e Sudeste que aumentaram seus índices de destinação correta para 76,2% de 67,4% e para 78,7% de 73,4% respectivamente por meio de políticas convencionais de gestão de resíduos. “A região Sul é a que está mais próxima de destinar todo o seu lixo adequadamente, pois lá faltam cerca de 5.500 toneladas diárias, o que pode ser resolvido com a construção de um ou dois aterros,” disse.

No Nordeste, que gera cerca de 22% de todo o lixo no país, destina cerca de 67% dele para locais inadequados. “Cerca de 2/3 do lixo gerado pelo nordestino vai para lugares inadequados,” disse Vieira. Para ele, não só a falta de recursos, mas também os entraves políticos e institucionais emperram a melhoria da gestão convencional dos resíduos.

Apesar da Abrelpe ser a favor da criação de consórcios intermunicipais, a sua formação ainda é muito lenta, pois depende da aprovação de leis municipais caso a caso. Segundo a associação, o grande salto na gestão do lixo vai se dar com a aprovação da Política Nacional de Resíduos Sólidos que forçará o setor público a planejar a gestão, o setor produtivo a pensar na reciclagem e a elaboração de contratos para reduzir a quantidade de resíduos que vão para aterros.

Mas para Vieira, o Brasil caminha a passos ainda lentos para fortalecer a indústria de reciclagem. Mesmo em estados que já têm políticas de resíduos como São Paulo e Minas Gerais, o processo ainda é lento, apesar de ter ajudado na melhor destinação final do lixo. “Em um primeiro momento estas legislações garantem um destinação adequada, o reflexo para reciclagem, na qual nossas associadas têm interesse, se dará num segundo momento,” explicou.

Fonte: Revista Sustentabilidade/EcoAgência

E você, o que faz com seu lixo? Procure pontos de reciclagem perto de sua casa e entregue para que seja transformado em algo util. No mínimo, separe em dois sacos, orgânico e seco para facilitar o trabalho da cooperativa de catadores do lixão, já que aqui em Brasília a coleta seletiva é pífia…

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