O disseminador de verde

Uma iniciativa muito legal! Todo mundo pode seguir, basta um pouquinho de vontade.

Se depender do empenho desse servidor público aposentado, em breve o gramado entre a 110 e a 111 Norte vai se transformar num paraíso para as aves — e também para as pessoas. Firme na ideia de reflorestar a área com espécies nativas, ele conquistou a adesão da família e dos vizinhos, que passaram a abraçar a causa da qualidade de vida.

Mariana Sacramento do Correio Braziliense

Ao longo dos últimos sete anos, o gramado vazio que separa as quadras 110 e 111 Norte ganhou formas e tons naturais. Daqui a mais sete, terá novas cores e cheiro de frutas diferentes. O responsável pela mudança é o servidor público Geraldo Domingues Vargas, 56 anos. Com a ajuda da mulher e de vizinhos, ele plantou cerca de 200 árvores nativas e frutíferas no local. “Quando planto, eu sinto que estou me renovando, é como se estivesse adquirindo mais alguns anos para viver no futuro. Se cada planta me agregar dois anos a mais, estou satisfeito, já que minha meta é viver até os 120”, brinca.

Sapoti, ingá, mogno, embaúba, pequi, bambu, pau-brasil e ipê são alguns dos exemplares que fazem parte do bosque de Geraldo. Ele dedica boa parte do seu tempo ao cuidado das plantas. Às 6h30, já está de pé para regá-las. Toma o cuidado em manter o local sempre limpo, com a retirada de lixo e entulho que as pessoas jogam no local. Trabalho árduo diário que não incomoda o mineiro de Carmo do Paranaíba, município próximo a Pato de Minas. “Pelo contrário, me faz bem. Em vez de fazer exercícios na academia, cuido da minha saúde aqui”, explica ele.

Tudo começou em 2003, quando Geraldo decidiu dar uma forcinha para a mulher, Maria das Graças, 56 anos — que, sem sucesso plantara um pé de jenipapo na área verde em frente ao bloco onde o casal mora na 111 Norte. “Ela fez um buraco raso com uma faca e a muda quase morreu. Foi então que comprei ferramentas, fiz uma cova funda e transplantei o jenipapo”, relembra. Além dessa muda, que vingou, Maria tentou plantar uma outra espécie, que não resistiu. “Esqueci qual era.”

Quatro anos mais tarde, em 2007, o mineiro resolveu preencher o vazio entre as quadras 110 e 111 Norte. Foi à Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) e comprou 54 mudas de árvores nativas e frutíferas. “Foi pensando nos passarinhos que escolhi plantar pés de amora, seriguela, jabuticaba, manga.” Segundo o síndico do prédio onde Geraldo mora, cerca de seis espécies de pássaros visitam a área verde cultivada pelo servidor público. Beija-flor, tico-tico, bem-te-vi, sabiá e joão-de-barro são algumas delas. Da varanda do seu apartamento, no 4º andar, Geraldo consegue ouvir o canto das aves. “As frutas são para atraí-los para o nosso convívio e alimentá-los”, reforça.

Reforço

Em 2009, o gramado ganhou mais 30 árvores. Dessa vez, o mineiro comprou mudas de pau-brasil e de pequi em grande quantidade. O cerrado também está representado por outros exemplares, como jatobá, embaúba e mangabeira. Todas as mudas foram plantadas pelas mãos de Geraldo. Mas ele não está sozinho. O que não falta são pessoas solidárias à causa do amante da natureza. É o caso de Luiza Jaques, 9 anos, vizinha de Geraldo. Apesar da pouca idade, a menina tem ciência da importância da iniciativa dele. “Eu acho muito legal porque ele ajuda o meio ambiente. Gosto de ver as árvores crescendo e ajudei a plantar um pau-brasil e um ipê roxo”, conta a garota. “Os vizinhos, de modo geral, acham muito positiva a iniciativa. Quem sabe daqui a uns anos vamos ter um belo bosque aqui?”, estima Geraldo.

Cada uma das 200 mudas carrega uma história diferente. Um cajueiro, por exemplo, foi trazido de Morro de São Paulo, na Bahia, pelo síndico do prédio onde Geraldo mora. Uma vizinha trouxe um exemplar de sapoti de Minas Gerais. A primeira mangueira do gramado foi plantada em homenagem a um dos dois filhos do casal. Em meio a tantas belezas e histórias, Geraldo fica indeciso na hora de apontar qual é a sua preferida. Uma hora são os pequizeiros, outra é o pé de mangabeira, que teima em crescer. “Ela é custosa, mas é especial. É o meu xodó. Daqui a uns 15 anos vou vê-la imensa”, acredita.

Muitas outras pessoas estão querendo participar do bosque de Geraldo. “Mas não há mais espaço. Temos que pensar quando as árvores estiverem grandes. Só dá para trocar uma muda quando outra não resiste. Agora é esperar as árvores crescerem e começarem a dar flores, frutas e sombra. A cada ano vai estar melhor, e daqui a 10 anos vai estar um espetáculo”, prevê.

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