Retrospectiva Ambiental 2010

A explosão da plataforma petrolífera Deepwater Horizon, sob a responsabilidade da empresa British Petroleum, ocorrida em abril, no Golfo do México, resultou num vazamento de óleo a 1,5 quilômetros de profundidade. O derramamento foi o maior da história e atingiu a quantidade de quase cinco milhões de barris, ao longo de quase três meses, o que produziu uma mancha negra 11 vezes maior do que a cidade do Rio de Janeiro no oceano Atlântico.

O ano foi marcado também por uma onda de calor na Rússia, que deixou 18 províncias em estado de emergência, e enchentes no Paquistão, que afetaram a vida de 20 milhões de pessoas. As inundações foram as piores de oito décadas no país.

No Brasil, o excesso de chuvas teve consequências desastrosas em janeiro. Em Angra dos Reis (RJ), o deslizamento de um morro em Ilha Grande matou pelo menos 41 pessoas; em todo o Estado do Rio de Janeiro, foi grande o número de desabrigados. No município de São Paulo, choveu 40% do previsto para o mês em cinco dias. Ainda no mesmo Estado, as chuvas devastaram a cidade de São Luís do Paraitinga, destruindo igrejas e casarões históricos da cidade. Durante o mês de junho foi a vez de a chuva causar desastres nos Estados de Alagoas e Pernambuco.

O ano teve uma boa notícia para o meio ambiente: décima Conferência das Partes (COP-10) da Convenção sobre Diversidade Biológica (CDB), realizada em Nagoia, no Japão, obteve sucesso, com o estabelecimento de um pacote de medidas para frear o crescente ritmo de destruição da biodiversidade.

O fim de 2010 foi marcado pela conferência do clima da ONU em Cancún, no México. O acordo fechado contemplou questões como o Fundo Verde e o REDD (Redução de Emissões de Desmatamento e Degradação de floresta), mas deixou para depois a definição de metas de emissões de gases de efeito estufa.

 

No Distrito Federal

Artigo escrito por Gustavo Souto Maior e publicado no Jornal Correio Braziliense (22/12/2010).
A opulência de alguns e a pobreza de muitos estão destruindo a biodiversidade planetária. Os impactos humanos multiplicaram a taxa natural de extinção de espécies por milhares de vezes, fragmentando ou mesmo eliminando ambientes naturais essenciais à vida na Terra. E a reação para enfrentar a crise que ameaça a biodiversidade no Planeta se inicia com o estabelecimento e a gerência eficaz de áreas protegidas do ponto de vista ambiental, aqui no Brasil intituladas Unidades de Conservação (UCs). Essa reação prossegue com a criação de incentivos econômicos para que a sociedade conserve a biodiversidade, mesmo fora das áreas protegidas.

O montante de recursos investidos nas Unidades de Conservação em todo o mundo é estimado entre US$ 2 e 3 bilhões anuais. Entretanto, os mesmos estudos sugerem que a quantia necessária para proteger adequadamente a maior parte da biodiversidade ameaçada no mundo seria algo em torno de U$ 5 e 50 bilhões ao ano. Apesar do valor aparentemente bastante elevado, ele é muito menor se comparado ao custo global necessário para se recuperar e controlar a poluição industrial, fornecer água potável e saneamento às populações pobres do mundo ou, ainda, mitigar os efeitos do aquecimento global e das mudanças climáticas. A solução de cada um desses problemas pode custar centenas de bilhões de dólares. A má notícia é que o custo, relativamente baixo, de se conservar uma grande parcela da biodiversidade do mundo continua sendo maior do que a disposição dos governos mundiais em aplicar recursos na área.

Em países em desenvolvimento, como o Brasil, os recursos públicos destinados à gestão de UCs correspondem, em média, a aproximadamente 30% do efetivamente necessário para a conservação das áreas. Mesmo em regiões excepcionalmente ricas em biodiversidade, a exemplo da África do Sul e Indochina, os orçamentos chegam a ser menores do que 3% da média global por hectare. E, devido a crises financeiras e políticas, em muitos países em desenvolvimento os orçamentos públicos para gestão de áreas protegidas diminuíram em mais de 50% na década de 90.

A assistência de doadores internacionais para a conservação da biodiversidade nestes mesmos países também tem apresentado significativa redução. Desde a Rio-92, época em que as doações atingiram seu ápice, a tendência de queda tem sido evidente. Paralelamente, os investimentos mundiais para a conservação da biodiversidade têm declinado, enquanto outras questões globais têm recebido mais atenção na agenda política e na elaboração de orçamentos, tais como o combate ao terrorismo internacional, a busca da vacina contra a AIDS, a luta para reduzir a pobreza global, para citar apenas algumas das mais evidentes.

O resultado de toda essa situação é a figura dos “parques de papel”: UCs criadas legalmente, mas que carecem de recursos para realização de estudos e pesquisas, aquisição de equipamentos, regularização fundiária, implantação de infraestrutura, entre outras atividades essenciais para sua gestão eficaz. Há casos, no Brasil, de UCs cujos recursos anuais para o seu desenvolvimento não alcançam os R$ 10 mil. Um aspecto perverso dessa situação é que os “parques de papel” são computados nas estatísticas oficiais, embora não haja neles uma efetiva conservação da biodiversidade, contribuindo assim para reduzir a pressão pela criação de novas UCs e manutenção das já existentes.

No DF essa situação se torna ainda mais dramática, tendo em vista que 93% do nosso território é constituído por UCs, federais e distritais. O orçamento do órgão que tem por missão, entre inúmeras outras, proteger 67 parques urbanos e 23 UCs distritais, o Instituto Brasília Ambiental (IBRAM), não chega a 0,2% do orçamento público total do DF.  Não é à toa que a maior parte dos parques urbanos no Distrito Federal está literalmente à deriva, sem condições de uso pela sociedade. E que nossas UCs distritais aos poucos têm sido asfixiadas, degradadas, deixando de cumprir sua maior função: proteger a biodiversidade. A maior parte das UCs no DF ainda não foram efetivamente implementadas e não cumprem os objetivos que motivaram sua criação.

Daí a importância da aprovação, pela Câmara Legislativa, do Sistema Distrital de Unidades de Conservação (SDUC), que cria instrumentos essenciais para uma boa gestão das UCs e parques no DF. O SDUC foi objeto de uma extensa negociação envolvendo a própria Câmara Legislativa, além do GDF, Ibama, Instituto Chico Mendes, Ministério do Meio Ambiente e ONGs. Mas o SDUC precisa ser acoplado a um plano que garanta sua sustentabilidade financeira, ou seja, sua viabilidade de uma forma concreta. Do contrário, a biodiversidade, fundamental para nossa sobrevivência, estará irremediavelmente comprometida.

Da Equipe do Verde Capital:
Vale à pena pensar em como as alterações sobre o meio ambiente influenciam diretamente em nosso modo de vida cotidiano epensar em ações e atitudes mais sustentáveis e que preservem o meio ambiente para que em 2011 possamos ter uma qualidade de vida melhor no Distrito Federal e no país como um todo.
FELIZ 2011!!
Anúncios

Festas de final de ano mais sustentável

Por Rogério Ferro, da equipe Akatu

No Natal deste ano, de acordo com a Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL), as vendas do comércio devem subir 12%, na comparação com o Natal passado. 

“O setor deve movimentar R$ 102 bilhões, entre pagamentos de dívidas e novas compras no comércio”, afirmou Roque Pellizzaro Junior, presidente da CNDL.

“A questão é que na sociedade atual predomina um estilo de vida baseado no aumento constante da produção e consumo exagerados de bens e serviços facilmente descartáveis e rapidamente substituídos por modelos cada vez mais sofisticados. Nosso desafio é fazer a transição para uma sociedade sustentável”, explica Helio Mattar, presidente do Instituto Akatu.

Adotar práticas de consumo consciente não significa parar de consumir, mas consumir menos e diferente. Por isso, o Akatu apresenta algumas dicas que podem contribuir para um final do ano mais sustentável:

Planejamento
– Antes de decidir o que comprar, estipule um valor limite a ser gasto. Ele deve estar de acordo com as possibilidades financeiras da família e todos os membros devem se submeter ao orçamento estipulado, sem privilégios para ninguém.

– Não deixe de lado a tradicional listinha de compras e procure fazer com que tudo caiba dentro do orçamento traçado. Lembre-se de que, em média, no Brasil, um terço do que compramos em alimentos vai direto para o lixo. Em um ano, cada família acumula um desperdício de 255,5 kg de comida no lixo. Portanto, é importantíssimo que sua festa não aumente ainda mais este desperdício.

– Pesquise os preços. Comparar os valores dos produtos também é consumir com consciência. Em cidades como São Paulo, eles chegam a variar até mais de 100% para a compra de um mesmo produto.

Compras
– Deslocamento. Dê preferência para o comércio local, perto de sua casa ou trabalho, e vá a pé, se possível, ou de carona. Assim você emite menos gás carbônico e causa menor impacto ambiental.

– Troque gasolina por álcool. A preparação de festa exige muitas ida e vindas às compras, portanto, se for usar o carro, a simples troca de combustível do carro já reduz a emissão de gases de efeito estufa. Um carro com motor 2.0 a álcool emite metade do CO2 de um de mesmo motor a gasolina. Não deixe de planejar suas compras para buscar tudo no menor número possível de deslocamentos.

– Avalie bem quando comprar a prazo. Fazer compra parcelada com juros sai caro e é sempre um risco. Não olhe apenas a prestação, mas o preço final parcelado. Muitas vezes, com o valor final daria para comprar até três do mesmo produto. Isso quer dizer que você vai trabalhar muito mais para comprar a mesma coisa. Só parcele ou tome emprestado se você realmente precisar;

– Evite ir às compras com fome. É uma combinação que pode levar ao desperdício porque o consumidor confunde o momento da compra com o da refeição que está fazendo falta naquele momento e acaba comprando o que não necessariamente precisa;

– Atenção para os trocos. Muitas vezes, na correria das compras, os trocos, em moedas, ficam para trás. Mas veja que, se desde o nascimento de uma criança, um pai guardar um real por dia e colocar todo mês na poupança, quando esse filho completar 20 anos, ele terá acumulado R$ 16.000 reais, uma bela ajuda para pagar a faculdade.

Saiba de quem está comprando
– Escolha produtos de empresas social e ambientalmente responsáveis
Informe-se sobre as empresas das quais vai comprar. Valorize as que comprovadamente praticam a responsabilidade socioambiental.

– Escolha fornecedores responsáveis. O setor de serviços de entretenimento, lazer e eventos registra muita informalidade e relações precárias de trabalho. Só um exemplo: você já notou que há poucas grávidas trabalhando em festas e eventos (da recepção à limpeza)? Muitas empresas mantêm as pessoas que prestam serviços em festas, apesar da regularidade quase diária, com contratos precários, bicos ou free lancers. Como não há relações trabalhistas formais, a pessoa quando adoece não recebe e, se ficar grávida, é demitida. Portanto prefira, bufês, clubes, serviços em geral que pratiquem de verdade a Responsabilidade Social, que muitas vezes alegam em suas propagandas. Ter responsabilidade social é respeitar as leis trabalhistas do país entre outros valores e práticas.

Festa
– Ao produzir a festa ou procurar presentes, evite produtos piratas ou contrabandeados. Pagar menos por produtos piratas ou contrabandeados não compensa: você pode estar contribuindo com o crime organizado e com o consequente aumento da violência no seu bairro, na sua cidade, no seu país.

Cuidado com enfeites e utensílios. Evite embalagens e, se não for possível, dê preferência a papéis e embalagens recicláveis. Reutilize materiais de festas passadas. Ao final, guarde o que for possível e recicle o restante.

– Prefira louças duráveis como copo de vidro, talheres de metal. Na necessidade de usar utensílios descartáveis (copos, talheres, pratos…) prefira sempre os recicláveis e reutilizáveis;

– Decore conscientemente. Se possível opte por enfeites naturais – pequenas árvores, arranjos – plantados em um vaso. As pessoas podem levar para manter em casa, plantar em seus jardins. Na compra de novos, prefira os artesanais ou feitos a partir de materiais reciclados e recicláveis.

– Pense na próxima festa. Guarde os enfeites com cuidado e os reutilize em outras festas ou repasse para familiares e amigos nos próximos eventos.

– Energia. Na decoração com luzes, use lâmpadas de baixo consumo e apague-as antes de dormir.

Presentes
– Dispense os pacotes para presente. Sugira aos convidados que os presentes venham sem embrulhos enfeitados, que gastam muito papel, fita, laço e plástico. Pacotes de presente devem desaparecer na transição para a sociedade sustentável, comece a mudança na sua festa. Inicialmente pode até parecer estranho, mas será um bom exemplo. Quem sabe seus parentes e amigos não começam a fazer igual nas próximas…

– Faça doações. Você também pode doar seus presentes para ONGs e entidades de ação social. Avisar aos convidados que em vez de presente deve depositar o valor correspondente na conta da entidade. Dar em dinheiro é sempre melhor, porque evita o consumo desnecessário e ainda oferece à entidade a chance de comprar o que ela realmente precisa.

– Peça nota fiscal. O valor do imposto já está embutido no preço do produto ou serviço. Se você não pedir a nota fiscal, sua compra pode não ser registrada e entra no famigerado caixa dois; nesse caso, o fornecedor embolsa o imposto que serviria para bancar educação, saúde, segurança, coleta de lixo e tantos outros serviços públicos.

Ceia e festa da virada
– Mesa farta, mas consciente. Compre apenas a quantidade de alimentos e bebidas que você estima que realmente será consumida. Prefira produtos cultivados na sua região, reduzindo assim o custo de transporte e o desperdício.

– Se possível, evite garrafas e copos plásticos. Se não for possível, separe tudo, tudo mesmo, para a reciclagem.

– Coma mais natural. Inclua vegetais frescos e produtos naturais no cardápio. Alimentos industrializados são muitas vezes mais caros e gastam mais água e energia para serem produzidos. Além de conterem mais sódio, gorduras saturadas e gorduras trans.

– Reaproveite cascas e talos de alimentos. Eles têm alto valor nutritivo e servem de base para fazer diferentes pratos;

– Água. Na hora de lavar a louça evite desperdício. Deixe os utensílios de molho em uma bacia com um pouco de detergente biodegradável, isso irá facilitar o trabalho e economizará água. Nunca deixe a torneira aberta enquanto esfrega a louça;

– Dissemine o consumo consciente. Durante as festas, aproveite a reunião para disseminar informalmente o consumo consciente entre seus amigos. Converse, aponte os motivos de suas escolhas nesta festa. Seu exemplo vai inspirar seus convidados a fazer o mesmo. Se não o mesmo, pelo menos algumas iniciativas. É o começo da conscientização e da mobilização;

– Para cada churrasco plante uma árvore. Para produzir apenas um quilo de carne são emitidos 3,7 kg de CO2. Um churrasco para cem pessoas vai emitir, só na produção da carne, 185 quilos de CO2, equivalente ao que um árvore da Mata Atlântica sequestra durante seu crescimento em 37 anos. Isso sem contar transporte, carvão, bebidas, pratos, copos, talheres e o lixo produzido no final;

– Recicle as latinhas de alumínio. Ao reciclar as latinhas de alumínio que consome por ano, cada brasileiro, em média, contribui evitando a emissão de 78 g de CO2. Isso significa que só a população de São Paulo, reciclando tudo, poderia contribuir com 858 toneladas a menos de CO2 na atmosfera. Equivalente a 4.500 árvores da Mata Atlântica.

E tenha um Natal farto de afeto e de boas emoções, aproveitando para uma boa reflexão sobre o ano que passou e sobre o que é realmente importante para você no ano de 2011, para que seja mais harmônico do ponto de vista do seu contato com a família, com os amigos, e com a sua própria espiritualidade.

Boas festas!

Esse é o desejo sincero da equipe do projeto Verde Capital

Abaixo um vídeo sobre consumo sustentável no natal