“A luta pela Amazônia não é internacional, é brasileira”

O médico infectologista Eugênio Scannavino diz que falta profundidade nas abordagens dos temas relacionados à Floresta Amazônica

Seja por conta da reforma do Código Florestal ou pela construção da hidrelétrica de Belo Monte, o fato é que nunca antes a Amazônia esteve tão presente na imprensa nacional ou estrangeira. Mas isso não significa que os reflexos dos debates que ocorrem em Brasília, no sudeste ou em algum centro de preservação holandês estejam sendo acompanhados in loco na região pela maioria dos veículos de comunicação que tratam desses assuntos. Pelo menos é essa avaliação do médico Eugênio Scannavino, que desde os anos 1980 dirige um projeto de saúde e educação na região oeste do Pará.

“Falta maior presença da imprensa na região. Alguns jornalistas estão sempre em contato, claro, seja por determinação de grandes veículos ou por razões pessoais, de proximidade com a região, e conseguem fazer
reportagens com maior conhecimento, mas são casos isolados. A grande maioria da imprensa aborda os temas da Amazônia com muitos preconceitos, com avaliações pouco profundas e sem propriedade”.

Como diretor de uma ONG, o Ceaps (Centro de Estudos Avançados de Promoção Social e Ambiental), publicamente conhecido como Projeto Saúde & Alegria, Scannavino não deixa de se queixar da generalização em torno dos trabalhos de ONGs que atuam na Amazônia:

“Ainda impera aquela ideia de que ONG é de gringos, do Greenpeace,
do WWF, sem considerar que existem 600 organizações na
região, muitas do próprio povo da floresta, que são organizações
brasileiras e que não estão aqui para fazer oposição cega,
mas para também para trazer propostas. A luta pela Amazônia
não é internacional, é brasileira”.

Embora a vedete do mundo seja a pressão pela preservação ambiental do bioma amazônico, existem na região problemas sociais graves e iniciativas de políticas de saúde que passam ao largo dos holofotes. Segundo Scannavino, há muitas ações da própria Fundação Oswaldo Cruz na região e questões como o grande imbroglio da saúde indígena, que “ora está na Funasa ora está no Ministério”.

O próprio trabalho do Projeto Saúde & Alegria é exemplo. Embora também atue em aspectos da preservação do meio ambiente, Scannavino tem seu trabalho centrado em um barco-hospital que percorre o rio Tapajós e seus afluentes atendendo as comunidades ribeirinhas, que muitas vezes levam doentes em canoas para receber atendimento no barco ancorado no rio. O projeto recebeu aval do Ministério da Saúde para ser desenvolvido como política pública, que também autoriza o Sistema Único de Saúde (SUS) a desenvolver modelos como este em outros municípios:

“Isso vai permitir que três mil municípios entre a
Amazônia e o Pantanal possam receber barcos-hospitais similares”.

Fonte: Jornalistas&Cia

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