Empregos Verdes

Edição: Murilo OhlVocê S/A – 05/09/2011

O Brasil tem 2,6 milhões de empregos verdes, ligados a padrões de produção e consumo mais sustentáveis ambientalmente. O número equivale a 6,73% do total de postos de trabalho formais, segundo a Organização Internacional do Trabalho (OIT). Entre os setores que mais evoluem estão geração e distribuição de energias renováveis; telecomunicações e teleatendimento; construção manutenção e uso de edifícios; e agricultura, pecuária, caça, pesca e aquicultura.

VAGAS SOLARES
Alguns dos novos empregos verdes estarão no mercado de aquecimento solar. A produção nacional de coletores de energia deverá dobrar até 2015, segundo o Departamento Nacional de Aquecimento Solar (Dasol), chegando a 15 milhões de metros quadrados de placas instaladas. “Cada milhão de metros quadrados de coletor construído cria 30.000 empregos”, diz Marcelo Mesquita, gestor do Dasol, que acredita que São Paulo e Minas Gerais devem concentrar as vagas.

Priscila Mendes

Da equipe do Correio

É o fim do salve-se quem puder. Pelo menos na área ambiental. O que antes era visto como custo pelas grandes empresas passou a ocupar lugar estratégico. Seja por força da legislação, exigência dos consumidores ou em função dos desastres ambientais, os empresários perceberam que a responsabilidade ambiental é um bom negócio para todos. Incorporar esse princípio na estratégia de desenvolvimento de produtos e processos virou sinônimo de lucro. Afinal, garante a própria sobrevivência no setor, preserva a natureza, cria empregos e ainda abre novos campos de atuação.

O exemplo da Petrobras ilustra bem as oportunidades do mercado. Em 2003, eram apenas 83 funcionários ligados à área ambiental. Hoje, são 1.071 profissionais. Mas para embarcar na onda das carreiras verdes, engana-se quem pensa que basta curtir a natureza. É da especialização exigida pelo mercado que surge um novo perfil de profissional cada vez mais requisitado nas empresas: o gestor ambiental. “Enquanto o engenheiro ambiental domina a tecnologia para avaliar o meio ambiente e executar os projetos, o gestor vai gerenciá-los e propor soluções”, diferencia Demóstenes Ferreira da Silva Filho, coordenador do curso de gestão ambiental da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz, ligada à Universidade de São Paulo.

A nova profissão, segundo Bernardo Verano, coordenador do curso superior de tecnologia em gestão ambiental do Unicesp, em Brasília, nasce da necessidade das empresas terem um profissional para gerenciar crises e administrar interesses, muitas vezes divergentes. “Sempre formamos engenheiros, agrônomos, químicos, biólogos, mas havia uma lacuna nessas atividades. O mercado precisava de alguém para traçar políticas e implementar programas das instituições de acordo com as normas internacionais”, explica.

Por bem ou por mal, as empresas são obrigadas a cumprir as novas e rigorosas leis ambientais, que rendem pesadas multas a quem desacatá-las. Para garantir a legalidade e sobrevivência dos empreendimentos, entra em cena o gestor ambiental. “Ele pode habilitar a empresa a obter, entre outros benefícios, a tão cobiçada certificação ISO 14000”, destaca Bernardo. Além de atestar a responsabilidade ambiental no desenvolvimento das organizações, o conjunto de normas internacionais agrega pontos à imagem e abre portas para o mercado externo.

Nicho variado

A globalização da questão ambiental ampliou a necessidade de mão-de-obra especializada. Yuri Rafael Della Giustina, 39 anos, que o diga. De técnico em saneamento em 1989 ao cargo atual de superintendente de planejamento, o engenheiro mecânico da Companhia de Saneamento do Distrito Federal não galgou posições devido aos 19 anos na empresa. As promoções vieram por ele ter percebido o novo filão do mercado. “Sempre trabalhei com tratamento de esgoto. Mas um gestor vai além da técnica. É preciso conhecer legislação e responsabilidade ambientais”, conta. Especialista em resíduos sólidos, Yuri tem mestrado em planejamento em gestão ambiental.

Mas a nova ocupação não é exclusiva de engenheiros. Abre portas para diversas profissões ligadas à sustentabilidade. Há três anos, o biólogo Cesar Oliveira de Araújo não pensou duas vezes antes de deixar a segurança da Caixa Econômica Federal para abrir com o sócio, o também biólogo Fernando Carpaneda, a Tarumã Consultoria Ambiental. Com o curso de gestão ambiental do Serviço de Aprendizagem Nacional Comercial (Senac) de São Paulo, ele se tornou o responsável por implementar serviços na área de meio ambiente e promoção de comunidades sustentáveis.

“Além de projetos para empresas, a área abre caminhos para trabalhos diretamente nas comunidades. É possível multiplicar os resultados”, ressalta Cesar. À beira do Córrego do Alagado, no Gama, ele relembra a infância no lugar e espera que o rio volte a ser liberado para banho, como há 15 anos. “As cervejarias pararam de despejar resíduos nas águas. Agora, conscientizamos e capacitamos a comunidade para que continue a preservação”, comemora o consultor.

O leque de atuação para quem quer investir nesse nicho é variado. Há espaço no setor público e privado, organizações não-governamentais, universidades. E a possibilidade de abrir o próprio negócio. A recente profissão ainda não tem um conselho que a represente oficialmente e não há um piso salarial da categoria. Mas, segundo professores e profissionais, o sinal é verde para as boas remunerações. O contracheque de um recém-formado varia de R$ 1.500 a R$ 2.500. Nas empresas privadas, a média é de R$ 2 mil mensais. Mesma faixa salarial encontrada nas ONGs, que pagam até R$ 7 mil para cargos de chefia. Já um gerente de projetos experiente, independente do setor, pode chegar a ganhar por volta de R$ 8 mil.

A hora e a vez do gestor

À medida que crescem as exigências pelo uso racional dos recursos naturais, mais amplas se tornam as iniciativas das empresas, contemplando profissionais de várias formações como biólogos, engenheiros, geólogos. “Com uma gestão de meio ambiente integrada, conseguimos enxergar os diversos aspectos ambientais de cada projeto”, afirma Mônica Linhares, gerente corporativa de meio ambiente da Petrobras.

Na nova ordem da sustentabilidade que impera no mercado, investir em uma formação multidisciplinar tem sido a aposta de muitos. Ainda na faculdade, a engenheira florestal Elisa Meireles, 29 anos, identificou que a gestão ambiental podia lhe render bons frutos. Hoje, ela é gerente de projetos da ONG Ecodata. “Embora eu tivesse muito conhecimento técnico, precisei me adaptar à gestão por meio de seminários e palestras”, conta.

Elisa implementa um projeto de extrativismo do cerrado na comunidade de Mambaí, na divisa com o estado da Bahia, a 308km de Brasília. “Mostramos aos moradores que, com o extrativismo de frutos do cerrado, eles podem aproveitar potenciais nutritivos do baru, mangaba, cagaita sem agredir o meio ambiente”, explica.

Os benefícios da gestão ambiental não são resultados apenas das ações de grandes empresas e de ONGs. Mesmo sem capital para investir em profissionais especializados, as micro ou pequenas conseguem evitar desperdícios, seguindo projetos desenvolvidos pelo Sebrae.

Foi assim que Domingos Sávio de Aguiar Oliveira, dono da Vidraçaria Planalto, conseguiu adotar um sistema de aproveitamento da água. “Os resultados foram imediatos. A conta passou de R$ 900 para R$ 200 mensais”, comemora. Pode parecer pouco, mas a simples redução da conta de água traz benefícios para todos. “No Brasil, cerca de 90% das empresas são desse porte. Além de reduzirem os custos, o meio ambiente agradece”, ressalta James Hilton Reeberg, coordenador de Gestão Ambiental do Sebrae-DF.

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