Profissões do Futuro: Área ambiental tem três carreiras promissoras

O Estadão trouxe matéria sobre profissões promissoras e… Adivinhe? A carreira ambiental está entre elas!

Profissões do Futuro: Área ambiental tem três carreiras promissoras
02/06/2015 | 18h01 0

Da engenharia à pesquisa acadêmica, o desafio é combinar desenvolvimento e sustentabilidade

Quem olha para o presente e o futuro climático do planeta enxerga recortes de qualidade de vida, sustentabilidade e impacto ambiental – preocupações que em geral são aumentadas nas pessoas que estudam e trabalham na área. Ao juntar as peças do quebra-cabeça, elas tentam entender o cenário e encontrar formas técnicas, físicas e comportamentais de evitar e combater poluição, escassez de recursos e propor soluções tecnológicas e programas de preservação que respeitem populações, culturas tradicionais, fauna, flora, água, ar.

Por motivos óbvios de sobrevivência e inovação, engenharias, gestões e gerências ligadas à área ambiental são carreiras do presente que têm futuro. Os caminhos para construir a trajetória profissional nessas áreas passam primeiro por consultar no detalhe o currículo de cada escola e conversar com profissionais formados e professores. O que é estudado, ensinado, exercitado, qual é o mercado de trabalho – é preciso antes do vestibular conhecer as disciplinas e cargas de exatas, humanas e biológicas e, sabendo da própria disposição e preferência, colocar esforço e inteligência no conjunto de atividades e teorias que tiver mais a ver com isso tudo. Em tese, todos esses caminhos prometem conduzir a formas de desenvolvimento sustentável seja ele humano, de energia, saneamento, fabricação de cerveja ou produção de comida, por exemplo. Na prática, obviamente, as atividades são distintas. Se esbarram, se encontram. Mas são diferentes.

A engenharia ambiental está ligada à resolução de problemas técnicos, à construção da barragem. Avalia se para abrir caminhos é necessário alagar mais ou menos uma região e remover pessoas. Calcula prós e contras do empreendimento. Propõe saídas. Entre outras muitas possibilidades, busca formas de produzir menos lixo e de encaminhar o que é gerado.

A gestão ambiental investiga a região, as pessoas, a qualidade de vida. O que e como produzem, quanto gastam e ganham. Descobre de que maneira a barragem afetará essa dinâmica, a rotina. Quanto vai custar, econômica, social e ambientalmente? Quais os benefícios? O gestor estuda as formas sustentáveis de usar e obter água, de usar e cultivar a terra, de cuidar da floresta.

A gerência das relações ecológicas estabelece uma ligação entre as partes, promove a comunicação entre engenheiros, gestores, funcionários, pessoas da sociedade, campanhas. Um exemplo: a empresa pode ter um gerente que convence, orienta, monitora, fiscaliza e encaminha campanhas de sustentabilidade, a fim de obter resultados e índices corretos.

Sucesso subjetivo – “Observamos uma tendência de ir além da busca por remuneração, status e segurança”, diz a professora Tania Casado, especialista em carreira e uma das coordenadoras do Programa de Estudos em Gestão de Pessoas da Fundação Instituto de Administração (FIA). “Há uma preocupação com o sucesso subjetivo, a busca por significado, o orgulho do trabalho alinhado aos valores do indivíduo. Nesse sentido, a área socioambiental reúne características bastante contemporâneas e se abre para novas modalidades de atuação.”

As três se abrem para educação ambiental, conscientização, e formas de pesquisa científica. Têm lugar no escritório e no trabalho de campo. Na engenharia e na gestão, em especial, surge a oportunidade de botar a mão na terra ou passar uma temporada entre os ribeirinhos para entender a dinâmica das chuvas em suas vidas, entre outras experiências. Atraídos sobretudo pela possibilidade de contribuir para o desenvolvimento sustentável e inovador, muitos ocupam posições em organizações não-governamentais, indústrias, instituições públicas e privadas, consultorias. Se engajam em causas ambientalistas. São contratados por empresas.

Desde 2013 a procura por executivos de áreas ambientais cresce 5% ao ano. “A demanda maior costuma ser gerada por gerências de saúde, segurança e meio ambiente que contratam engenheiros ambientais ou até mesmo formados em outra engenharia, mas que tenham ao menos uma pós-graduação em ambiental”, diz Rodrigo Maranini, gerente de engenharia e logística da Talenses, consultoria especializada no recrutamento de executivos. Segundo Maranini, o salário médio de um coordenador com inglês fluente é de R$ 13 mil. Um gestor de fábrica recebe entre R$ 15 e R$ 19 mil. O gestor corporativo, de R$ 17 a R$ 25 mil. “Preocupadas com imagem e resultado financeiro, as empresas agora sabem que a matéria-prima não é infinita, não somos autossuficientes em energia e para estar de acordo com normas regulatórias e auditorias é importante envolver cada vez mais cedo nos negócios áreas relacionadas ao meio ambiente.”

Ao mapear tendências de carreira até 2020, uma pesquisa do Programa de Estudos do Futuro da FIA mostrou que a área ambiental é das mais promissoras e acena com profissões relativamente novas, como a gerência de ecorrelações. No levantamento, a engenharia ambiental também está em evidência. Junto à gestão ambiental, elas compartilham o desafio de combinar desenvolvimento e sustentabilidade e podem coexistir em diversos cenários, atuando de forma complementar ou em lados opostos. Gestores e engenheiros encontram-se, por exemplo, na realização de estudos de impacto ambiental, os chamados EIA, que mapeiam em profundidade riscos sociais e ambientais de um empreendimento, prós e contras de se erguer uma hidrelétrica ou uma indústria e de fazer a transposição de um rio.

Gerência de ecorrelações – O levantamento de carreiras do futuro da FIA foi realizado há seis anos. O cargo de gerente de ecorrelações, ao menos com esse nome, ainda é incomum nos organogramas. É provável que isso seja apenas uma questão de nomenclatura, porque a importância de um personagem com conhecimento técnico e em legislação ambiental é reconhecida por todas as fontes especializadas ouvidas pelo Estado. Seu lugar existe.

Na descrição, o gerente de ecorrelações “se comunica e trabalha com consumidores, grupos ambientais e agências governamentais para desenvolver e maximizar programas ecológicos.” Geralmente formado na engenharia ou na gestão ambiental (bacharelado ou graduação tecnológica, um curso mais curto), precisa saber ouvir e falar bem para intermediar o diálogo entre a indústria e os moradores de uma cidade, a comunidade e um órgão governamental, e entre os funcionários e setores de uma companhia, transmitindo conhecimento e promovendo negociações.

Engenharia ambiental – A rigor, o engenheiro é quem cria, projeta e implementa tecnologias a fim de resolver problemas técnicos que nas situações socioambientais estão ligados ao uso e à preservação dos recursos naturais. São questões de lógica e cálculo, sim, mas também relacionadas às transformações causadas pelo homem e que interferem na vida. “É comum o aluno pensar que pode ser um curso muito voltado a uma ecologia ou a uma biologia e quando chega aqui já tem um pequeno choque. Sempre que apresentamos nosso curso, precisamos destacar que é uma engenharia focada na resolução de problemas ambientais, na compreensão dos processos naturais, na ação do homem e no desenvolvimento de tecnologia de controle, monitoramento e investigação desses fenômenos”, afirma Rafael Manica, coordenador de engenharia ambiental da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), que existe desde 2006 e registrou a disputa de 11 candidatos por vaga no último vestibular.

Depois dessa puxada mais forte na base técnica, surge uma carga interdisciplinar intensa com conhecimentos de química e biologia e em disciplinas que abordam processos atmosféricos, biológicos, de recursos hídricos, de saneamento e geológicos. “É esperado que [os alunos formados] façam diagnósticos e possam atuar em órgãos de gerenciamento e em empresas, no planejamento, na prevenção e proteção de recursos, na construção civil e também na educação ambiental. Não farão isso como educadores de formação, mas por meio da conscientização. O engenheiro ambiental trabalha muito na remediação de problemas, propondo soluções.”

Egresso da turma de 2004, a primeira de engenharia ambiental da Universidade Federal do Paraná, Helder Rafael Nocko hoje é vice-presidente da Associação Paranaense de Engenheiros Ambientais e diretor da Envex, consultoria especializada em engenharia ambiental. A depender do trabalho, as equipes da empresa incluem biólogos, advogados e assistentes sociais. A Envex é a autora de um prognóstico de qualidade da água do reservatório da usina de Belo Monte, na bacia do rio Xingu, um dos mais polêmicos empreendimentos de geração de energia do país. “A formação forte em engenharia e os conhecimentos em assuntos específicos, do tipo química, formas de controle ambiental, parte atmosférica e direito, abrem um campo enorme de atuação em estudos de impacto ambiental, ensino e pesquisa, planejamento de recursos hídricos, tratamento de água, redução e tratamento de resíduos sólidos e drenagem e destino de águas da chuva em áreas urbanas, na sustentabilidade industrial e em ONGs”, diz.

Gestão ambiental – A maior preocupação do gestor ambiental talvez seja entender e harmonizar a relação das pessoas com o ambiente e os recursos em termos sociais e econômicos. Ele pode liderar estudos de impacto ambiental, fazer pesquisa científica ou desenvolver programas de educação para o uso racional da água e a reciclagem do lixo. Ao atuar na área de sustentabilidade, cuida não só de aspetos culturais, mas de monitoramento, análise e relatórios de desempenho.

O paulistano Renato Morgado, gestor ambiental pela Escola Superior de Agricultura Luiz De Queiroz (Esalq/USP) e autor de uma tese de mestrado que estudou a formação dos bacharéis na área, vive em Piracicaba e desde 2009 é funcionário do Instituto de Manejo e Certificação Florestal e Agrícola (Imaflora). A organização não-governamental apoia e incentiva o uso sustentável das florestas e da agricultura, trabalhando com certificações, políticas públicas e relações éticas entre empresas e comunidades tradicionais. Na Amazônia, Morgado participou recentemente de um diagnóstico socioambiental do município de Almeirim, no norte do Pará. O objetivo era entender as cadeias produtivas de castanha e açaí, a fim de propor um aprimoramento da produção. “O gestor ambiental tem uma formação voltada à compreensão a partir de pontos de vista diferentes e de forma integrada. Na gestão da crise hídrica, que é ao mesmo tempo um problema da capacidade das bacias, dos regimes de chuva e de saber como se faz a gestão da água e se estimula o consumo consciente, há ainda questões políticas, legais e econômicas. O gestor não vai fazer a obra da barragem, que é da engenharia, mas vai conhecer os instrumentos de gestão existentes ou criar novos para dar conta dos desafios”, explica.

Na Esalq, o currículo do curso abrange desde cálculo, matemática e estatística, bioquímica, microbiologia, física, direito, ecologia e história do movimento ecológico, até geoprocessamento, gestão urbana e de biodiversidade, auditoria e certificação e administração financeira e contábil. “Pela experiência que já tive em problemas técnico-jurídicos na temática ambiental, eu diria que o papel do gestor ambiental é sobretudo fazer uma ponte entre as diversas áreas e agentes”, avalia a professora Sílvia Miranda, do departamento de economia, administração e sociologia da escola. “Muitos conflitos entre segmentos produtivos e aqueles que têm ênfase na questão ambiental ocorrem pela falta de compreensão da complexidade técnica, política e econômica dos problemas e da necessidade de soluções mediadoras, de avanços tecnológicos, de melhoria na comunicação, do estabelecimento de instrumentos de compensação. Enfim, problemas que exigem uma visão interdisciplinar e uma capacidade de articulação e compreensão holística.”

Leia no original aqui.

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